Agilidade na resolução do problema fez com que a paulista decidisse contribuir com a cidade de Florianópolis como voluntária Aluysia Navarrete, de 65 anos, foi pagar um boleto de IPTU de R$ 150 pelo computador de sua casa e, sem querer, acabou digitando um número errado, que a fez pagar R$ 8.150 reais.

No dia seguinte, ela procurou a Prefeitura de Florianópolis, preocupada com a possibilidade de não reaver o valor.

Porém, o pânico logo se transformou em tranquilidade, que a fez querer fazer algo para ajudar a cidade.

— Ninguém me conhecia, mas todos foram tão ágeis no atendimento, preocupados em resolver meu problema que me surpreendeu.

Ver todo esse empenho me deixou encantada e me deixou com vontade de fazer algo para contribuir com a cidade.

Voltei um dia para agradecer e me coloquei à disposição para acrescentar em algo — comenta.

A partir de então, Aluysia se tornou voluntária no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua – CENTRO POP, que acontece na Passarela Nego Quirido e, todos os dias, recebe cerca de 150 pessoas em situação de rua.

Ali, eles recebem refeições, pernoite e tudo que precisam se tiverem o desejo de recomeçarem a vida.

Desde então já se passaram dois anos e Aluysia não só não desistiu, como também se tornou coordenadora de um grupo de voluntários.

— Aos 65 anos, descobri um novo sentido para minha vida.

Fiz tanta coisa já, mas em quase duas décadas na cidade isso de longe foi o que mais me realizou — conta.

Paulista, a voluntária veio para Florianópolis há 18 anos, quando um dos filhos decidiu fazer vestibular na Universidade Federal de Santa Catarina.

O marido já estava aposentado e os dois se mudaram para acompanhar o filho.

Mãe de três filhos, uma mulher e um casal de gêmeos, ela conta que passou a vida se dedicando à família, mas sempre quis fazer um trabalho voluntário.

Apesar disso, foi só com o problema do boleto que teve o impulso de que precisava.

Entre tantas iniciativas, ela escolheu a das pessoas em situação de de rua por ser o que mais a tocava.

— Eu sempre observava aquelas pessoas tão jovens e ficava pensando o que as levou até a rua.

São pessoas que precisam readquirir sua dignidade e isso me deixou motivada a ajudar — conta ela. Aluysia Navarrete, de 65 anos, se tornou coordenadora de um grupo de voluntários PMF/Divulgação De segunda a sexta-feira, o atendimento já era realizado no Centro Pop por profissionais contratados pela administração municipal.

Porém, o problema das pessoas em situação de rua não tem dia e foi o trabalho voluntário que solucionou este impasse. — Na época em que me prontifiquei, o prefeito estava chamando voluntários para ficarem no fim de semana.

Entrei junto com um grupo de voluntários de igrejas, psicólogos, nutricionistas e outras pessoas de todas as profissões, que começaram a doar seu tempo para a causa — lembra Aluysia, que durante um ano e meio passou a ir todos os sábados e domingos à Passarela Nego Quirido.

— Isso passou a ser meu sentido de vida.

Dei tudo de mim.

Cuidamos do café da manhã, almoço, jantar e pernoite para 150 pessoas todos os fins de semana — diz.

Agora, depois de um ano e meio trabalhando todos os fins de semana, ela se tornou coordenadora e, com o aumento no número de voluntários, já é possível fazerem uma escala de revezamento, para que tenha folga em alguns fins de semana.

Aluysia também se tornou coordenadora de uma equipe de voluntários.

A Secretária de Assistência Social de Florianópolis, Maria Cláudia Goulart da Silva, comenta que há inúmeros projetos sociais na Prefeitura de Florianópolis e que as pessoas que doam seu tempo para essas causas são essenciais para que seja possível atender mais pessoas e ampliar o trabalho.

— Os voluntários são muito importantes para nós.

Tem muita gente que tem vontade de ajudar e nós temos o espaço certo para fazer isso.

A iniciativa dos voluntários nos ajuda a prevenir a distribuição de esmolas que alimentam a condição de miséria das pessoas em situação de rua.

Muitas pessoas querem ajudar e não sabem como, e o voluntariado é uma das saídas — comenta. Para Aluysia, o voluntariado foi um divisor de águas que trouxe esperança de que é possível mudar a vida das pessoas em situação de rua, e que todos podem contribuir.

Ela relata uma das cenas mais emocionantes de sua vida: — Uma das voluntárias fazia o acolhimento, que é uma ficha cadastral da pessoa que chega: registro de nome, idade, local de origem.

E quando a pessoa pronunciou o nome ela olhou e era o pai dela.

Há anos eles não se viam.

Foi um reencontro fantástico.

Depois soube que eles se mudaram de cidade e ele retornou à família — lembra Aluysia, que, entre momentos como esse, sente que se tornou uma pessoa melhor.

— Se as pessoas soubessem o quanto faz bem, todo mundo faria.

Esse trabalho mudou minha forma de ver o mundo e de tratar as pessoas.

Eu passei a servir mais, com mais amor.

Aos 65 anos, quando achei que já tivesse vivido tudo, posso dizer que comecei uma vida nova — finaliza. Para saber mais sobre o que acontece em Florianópolis, acesse o especial.